Importação de frutas e verduras e entre safra faz com que potiguares mudem até o habito alimentar.
Jeferson Rocha
Potiguar compra menos mas não deixa de levar mercadoria
(Jeferson Rocha-Alecrim-Natal/RN) Muitos não sabem, mas boa parte dos alimentos consumidos pelos potiguares é importada de outros estados, o que gera, todo ano, uma alta dos preços, sentida principalmente no bolso de quem compra. As frutas, legumes e carne são os itens que têm maior variação de preços, chegando a até 30%. “Antes a gente comprava, por exemplo, 20 limões por um real e agora não se compram dez”, confirma a professora Idemira Saraiva, que complementa: “Só se a gente levar esse limão pequeno que é produzido aqui, mas não dá muito suco”.
Essa variação faz com que muitos consumidores mudem seus hábitos de acordo com a safra para que a compra caiba no orçamento. “Eu vou procurando os mais baratos, pesquisando e em alguns casos a gente nem compra, ou mesmo tem que comprar outra coisa”, afirma a dona de casa Maria Vilma.
Para Maria da Salete, que trabalha em feira a mais de cinco anos, “o cajú, maracujá, limão é o que mais aumenta porque a maioria é importada, como o cajú, que vem do Piauí e já subiu até 30% nesses últimos dias”, afirma.
O fato de o produto vir de outros estados incomoda alguns feirantes pois é prejuízo tanto para quem vende quanto para quem compra. “A mercadoria produzida no RN, não vem pra cá, vai pra fora, é como se não tivesse produção aqui, na verdade” comenta o feirante Robson Medeiros.
E a busca pela melhor compra leva muitos consumidores a trocar a feira - que é uma das atividades econômicas mais antigas do mundo - pelos supermercados. Em alguns casos essa troca não acontece por causa dos preços, mas sim pela facilidade de pagamento. Para o vendedor de carne Valdécio Andrade “o povo às vezes deixa de levar aqui pra comprar no supermercado porque lá vende no cheque, cartão pra 30 dias e aqui é tudo a vista”, comenta. Ele também considera que o aumento do preço se dá pela variação do clima na região Sul do país, de onde vem a maioria da carne consumida no Nordeste: “O preço tem subido porque tem pouco gado, pois muitos morreram afogados e isso gerou um aumento de quase 20% só esse mês”.
Já a aposentada Maria do Socorro não troca a feira pelo supermercado. “Tem subido o preço de tudo, mas é melhor comprar aqui do que no supermercado. Eu tenho cartão de crédito, mas não compro porque a diferença é muito grande. É melhor se apertar pra comprar a vista do que pagar mais a prazo”.
Os produtos citados como mais caros, ou que subiram mais os preços nas últimas semanas foram a carne, o peixe, o tomate, a cebola, o melão, o limão e a batata, mas para o feirante Joel de Souza, “o preço sobe e abaixa, os produtos vêm de longe mas ninguém deixa de levar, porque esses itens são essenciais, dão sabor à comida”, comenta.
Para tentar controlar o preço dos produtos, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) está trabalhando para puxar os preços para baixo e também para garantir que os agricultores familiares não sofram a exploração dos atravessadores. “A Conab prioritariamente regula os preços dos produtos mais básicos e ligados à agricultura familiar. É uma instituição nacional que trabalha em conjunto”, diz Sebastião Arruda, chefe do setor de operações da Conab/RN.
Um dos exemplos citados por Sebastião é a farinha de mandioca. Para garantir o preço justo para os agricultores, a Conab realiza a compra por um preço acima do mercado. “Dessa forma, o agricultor não fica desesperado para vender a safra. Quando a farinha fica encalhada é muito mais fácil para os atravessadores conseguirem comprar por um preço mínimo”, explica Sebastião Arruda.
Da mesma forma, os produtos adquiridos pela Conab são revendidos por um preço abaixo do mercado para garantir o menor preço. Algumas vezes, os itens são repassados para instituições de caridade. “Não temos condições de cobrir todo o mercado potiguar, mas tentamos garantir alguma estabilidade”, diz Sebastião.
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